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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Poemar: O computador


O Rodrigo Tavares leu um poema de Luísa Ducla Soares.

O Computador

A menina Leonor
Só quer o computador
O boneco e a boneca
Eram uma grande seca!
Deitou fora a bicicleta,
Cansa muito ser atleta.
Não sai para qualquer lado,
Nem para comprar gelado.
Anda da mesa para a cama,
Só se veste de pijama.
Vê-se ao espelho de manhã
A olhar para o ecrã.
Já se esqueceu de falar
Só sabe comunicar
Com os dedos no teclado.
Tem agora um namorado
A menina Leonor
Chamado computador.
É fiel, inteligente
Não refila, nunca mente.
E quando ela se fartar,
Pimba, basta desligar.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Da minha Janela...

A terceira sessão foi da responsabilidade da Maria Francisca, do 6.º C, que nos deixou um poema da sua autoria. Lembrou-me o quadro "Rapariga de Pé à Janela", de Dalí e decidi inserir essa imagem. Pode ser, Francisca?...
Aqui fica.



Da minha janela
Vejo o Mundo lá fora
O Passado, o Futuro
E o que acontece agora.

Vejo Povos Primitivos
A colher e caçar
Pintando as paredes das grutas
Como para as decorar!

Vejo robôs e E.T.
Máquinas avançadas
Lutando pelo melhor lugar
Aos encontros e às pancadas.

Vejo o Presente à minha frente
Bem o tento apanhar
Mas ele é rápido e foge
Nem o consigo alcançar.

E no fim deste poema
Chego a uma conclusão:
Viver o agora, agora
Sem grande preocupação.

Liberdade

A segunda sessão coube à Rita Wolters, que escolheu um poema de Fernando Pessoa.


Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

O Mundo Faz-de-Conta

Esta semana tivemos três sessões de "Poemar" muito interessantes.
Para a primeira, a Catarina do 6.º C escreveu um poema.



A neve é tão fresca
sempre a cair
no Mundo Faz-de-Conta,
quem me dera lá ir...

No entanto, não posso,
tenho de ir estudar.
Além disso,preciso da chave,
para lá poder entrar!

Elfos, gnomos
e fadinhas de encantar,
coisas que só se vêem,
quando estamos a sonhar!

Já disse a todos que é verdadeiro
o tal mundo de encantar
Mas eles são tontinhos
e não querem acreditar...

Quando eu tiver a chave
vou logo mostrar
a todos os que não acreditam
que não estou a brincar.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Poemar: Romance ingénuo de duas linhas paralelas

Para aqueles de vocês que gostam de ler poesia, fica um poema de José Fanha para crianças e adolescentes.


Duas linhas paralelas

Muito paralelamente

Iam passando entre estrelas

Fazendo o que estava escrito:

Caminhando eternamente de infinito a infinito

Seguiam-se passo a passo

Exactas e sempre a par

Pois só num ponto do espaço

Que ninguém sabe onde é

Se podiam encontrar

Falar e tomar café.

Mas farta de andar sozinha

Uma delas certo dia

Voltou-se para a outra linha

Sorriu-lhe e disse-lhe assim:

“Deixa lá a geometria

E anda aqui para o pé de mim…!"

Diz a outra: “Nem pensar!

Mas que falta de respeito!

Se quisermos lá chegar

Temos de ir devagarinho

Andando sempre a direito

Cada qual no seu caminho!”

Não se dando por achada

Fica na sua a primeira

E sorrindo amalandrada

Pela calada, sem um grito

Deita a mãozinha matreira

Puxa para si o infinito.

E com ele ali à frente

As duas a murmurar

Olharam-se docemente

E sem fazerem perguntas

Puseram-se a namorar

Seguiram as duas juntas.

Assim nestas poucas linhas

Fica uma história banal

Com linhas e entrelinhas

E uma moral convergente:

O infinito afinal

Fica aqui ao pé da gente.


José Fanha

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Poemar: Crescer, crescer

O Daniel Bastos escolheu o poema "Crescer, crescer", de Luísa Ducla Soares.

Os carros as pedras,
Nunca os vi crescer.
Eu cresço, não paro.
O que hei de fazer?

Cresci para cima
Para baixo, para os lados.
Rasguei a camisa,
Está toda aos bocados.

A luva esticada
Não me tapa a mão.
Ninguém me dá colo,
Sou um matulão.

Furou-me o sapato
O dedo do pé.
Rebentei as calças.
Vergonha não é?

Não cabe a cabeça
No velho chapéu,
Vou-me constipar
De cabeça ao léu.

Já chego à janela
Já alcanço a estante,
Devo crescer tanto
Como um elefante.

Quem for meu amigo
De mim não se afaste,
Pois para brincarmos
Arranjo um guindaste.

Luísa Ducla Soares
É preciso crescer

domingo, 17 de janeiro de 2010

Pião e peão não piam não


Aqui fica o poema que a Manuela Esteves leu na última aula de Língua Portuguesa.


O pião não pia
Nem muito nem pouco
Peão também não,
Fala todo o dia,
Piar e que não.

Mas pião é louco
Porque rodopia
O bico no chão
Com toda a euforia,
Não teme o perigo
Basta-lhe a mão
De qualquer amigo
E um cordel antigo.

Peão o que é?
Somos todos nós:
Filhos, pais, avós
Que andamos a pé
E, como o pião,
Com pouca atenção,
Sempre em correria,
E alguns descuidados
Em cinzento dia
São atropelados.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A Escola


De manhã bem cedinho,
Eu vou levantar,
Depois, no meu carrinho,
Para a escola vou estudar.

Com amigos e professores,
Não vamos sentir solidão,
Mas antes amizade
E, por vezes, também paixão.

Na escola há rumores
Por algum tempo a correr,
Mas se falarem de vocês,
Não se importem e continuem a "viver".

Ao fim do dia estamos cansados
De muito aprender,
Mas ainda há tempo
Para umas malandrices fazer.

Maria Bento, 6.º A

O Natal dá espaço ao Ano Novo


É noite de Natal
com a família reunida,
presentes no sapatinho
e na mesa o peruzinho.

Cai neve na serra
e está tudo branquinho.
Queremos sair,
mas está muito fresquinho.

De cachecol no pescoço,
de gorro e luvinhas,
decidimos sair,
nesta noite fresquinha.

Na sala está quentinho,
tudo muito decorado.
A árvore bem altinha
vai dar muito trabalho.

E assim nos despedimos,
do nosso ano tão bom,
e abrimos os braços
ao Ano que aí vem.

Mariana Monteiro, 6.º C

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

As férias batem à porta

A Ana Rita do 6.º C trouxe um poema de que gosta particularmente para ler na aula de hoje.

Aqui fica ele.

As férias batem à porta

As férias batem à porta
impacientes, querem entrar;
são amigas do calor,
do sol, da praia e do mar.

Trazem festas populares,
foguetes, bombos, melão,
pimentos, sardinha assada,
dias quentes de Verão.
Trazem pêssegos, gelados,
fatias de melancia,
viagens, tendas, caravanas,
descobertas, alegria.

As férias batem à porta
por favor deixem entrar
o ano só tem um Verão
é preciso aproveitar.

António Mota. Onde tudo aconteceu

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A minha turma


A minha turma

De manhã, quando me levanto,
Custa-me muito, podem crer,
Pois como moro longe da escola,
Um longo caminho tenho de percorrer.

A minha turma é o 6.º A
Onde tenho amigos a valer.
Damo-nos todos muito bem,
Porque gostamos de aprender.

Para o podermos fazer,
Uma ajudinha precisamos de ter.
Com os profesores a ensinar,
Bons alunos vamos ficar.

Depois de tudo isto contar,
Uma coisa me resta dizer:
Que o 6.º A é a melhor turma
Que eu podia ter!

Autoria: Inês Ribeiro, 6.º A

O Mar e a Vida



O Mar e a Vida

Mar,
Responde ao meu perguntar!
Mar,
Por que razão ousas ondular?

As perdas que nos fazes,
As tormentas que causas,
A tristeza que trazes,
No meu coração fazem vagas.

Nessas ondas vão os pescadores.
Eles querem pescar,
Mas tu os engoles.
Tu fazes isso:
Atormentar.

As tuas profundezas,
Ali somos presas,
Porque lá não nos deixas ir
Quanto mais as descobrir...

Mortes,
Tristezas,
Mágoas
Absorvem as tuas águas.

A tua força é uma balada,
Em ti não podemos entrar,
Porque o teu fogo é a água.

Autoria: Bernardo, 6.º A

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Poemar: Menino no Cais

Na sequência de uma conversa que tive hoje, na aula de Língua Portuguesa, com os alunos do 6.º A, resolvi antecipar para o final deste período a abertura no nosso blogue de uma nova Categoria, intitulada "Poemar".

Assim, todas as semanas, um de vocês trará para ler no início de cada aula, um poema, da sua autoria ou de um autor do seu agrado.

Aqui fica o primeiro.


Menino no cais

No cais das gaivotas
menino sentado
com sonhos morando
no barco ancorado.

Sentado, pensando,
com o sol entre os dedos,
com estrelas nos olhos
e o vento aos segredos.

Que segreda o vento?
Que segreda o mar?
Menino sentado
No barco, a olhar?

Maria Rosa Colaço,

Versos Diversos para Meninos Travessos