Tento fugir a uma vida de árduo trabalho e sofrimento no Brasil. Fui vendida como escrava há 22 anos, mas ontem os senhores do engenho deixaram a cerca aberta e, com vista a uma melhor vida, fora dali, fugi.
Apanhei o primeiro barco que partia e nem me preocupei com o destino. Nele viajava gente muito bem vestida, pareciam ser nobres e burgueses, não escravas como eu. Antes que me vissem com aquelas pobres roupas e me expulsassem do barco, peguei numa bagagem perdida e escolhi uma “toilette” parecida com a da maioria das mulheres.
Continuo com receio que me descubram, ainda me escondo no meio dos barris de vinho, mas, mais cedo ou mais tarde, tenho de aparecer.
Uma senhora já velhinha perguntou-me porque me refugiara ali. Apenas respondi que queria deixar a vida dura de trabalho e angústia a que fui exposta. Aproveitei e perguntei-lhe para onde ia o barco, e esta respondera-me que ia para Portugal. Nunca tinha ouvido falar de tal país, mas pelo que ela me deu a entender, era um óptimo lugar para se viver. Eu acreditei!
Com aquela conversa acabei por me desinibir e falei com as restantes pessoas que estavam a bordo do barco. Entretanto chegou a hora de jantar. Nunca tinha comido tão bem desde há 22 anos atrás!!! Foi hora de ir dormir.
Quando acordei, já me encontrava no chamado Paraíso de Portugal.
O quadro “First Sight of Land” de Henri Bacon é a representação de uma figura feminina, Leonor, provavelmente no momento da partida para uma grande viagem marítima. Na minha opinião, a senhora vinha de uma aldeia pequena, onde era rejeitada por todos. Ninguém gostava dela e, vivendo assim, Leonor não era feliz.
Certo dia, Leonor resolveu partir numa viagem por mar em busca da Felicidade, pois aquela não era a vida que queria. No fim dessa longa viagem, avistou uma ilha lindíssima. Na verdade, até parecia encantada. Ao vê-la, sentiu-se muito contente, feliz e esperançosa, pois parecia o lugar ideal para mudar a sua vida e ser feliz. Agarrou imediatamente nas suas coisas e deslocou-se até à “Ilha Encantada”. Aí foi muito bem recebida pelos habitantes. Uma senhora bastante simpática ofereceu-se logo para lhe mostrar a ilha e para recebê-la em sua casa. Leonor é claro que aceitou, porque não conhecia ali ninguém.
Um dia, Leonor ia a passear pela ilha quando avistou uma floresta. Decidiu explorá-la, mas acabou por se perder. Todos ficaram muito preocupados, pois Leonor estava desaparecida há cerca de quarenta e oito horas, e decidiram ir procurá-la. Passado algum tempo, encontraram-na. Leonor teve a confirmação de que ali iria ser feliz, pois tinha amigos que se preocupavam com ela.
A Patrícia Sobral explica quem é a mulher retratada por Bacon.
Era uma vez uma senhora muito bonita que vivia em Inglaterra, junto ao mar que adorava. Por esse motivo, os seus pais chamaram-lhe Maria do Mar.
Quando os pais morreram, ela estava desempregada e vivia com uma filha de cinco anos e com o marido. Este trabalhava dia e noite e nem assim tinha dinheiro para sustentar a família. Não eram muito pobres, mas o dinheiro não chegava para as suas necessidades. Então, decidiram emigrar, para terem melhores condições de vida. Partiram para a América, mais propriamente para Nova Iorque.
Enquanto navegavam, Maria do Mar lembrou-se que deixava para trás a sua casa, o seu país e a sua família. Embora fosse acompanhada do seu marido, deixara ficar a filha com os avós paternos.
Sentia-se melancólica e muito triste, mas, ao mesmo tempo, sentia uma enorme esperança, porque queria acreditar que ia ganhar dinheiro com o qual podia melhorar a vida da sua filha. Por outro lado, estava também um pouco receosa, porque ia ficar numa terra desconhecida, sem conhecer ninguém e onde podia não ser bem tratada, nem ela nem o seu marido. Havia o risco de não encontrarem o emprego que desejavam e assim levarem muito mais tempo a voltar a ver novamente a filha.
Quando alguém do barco gritou ”Terra à vista!”, Maria do Mar levantou-se logo e o seu coração bateu com força. Por um lado, tinha medo do que iria encontrar mas por outro a expectativa era grande: esperava encontrar melhores condições de vida para poder juntar dinheiro. Aproximaram-se mais da cidade e, ao ver os prédios gigantescos, ficou muito admirada. Chamou o seu marido e disse:
-Olha para aquela cidade! Tenho esperanças de que vamos viver melhor lá, mesmo que seja numa cabana.
-Eu também tenho alguma esperança - respondeu o marido.
À medida que se aproximavam do porto, toda a melancolia e tristeza que Maria do Mar sentia transformou-se em vontade, coragem e força para apoiar o marido, que sentia o mesmo, e seguirem em frente com vontade de vencer …
A Anaísa escreveu a sua versão da história da mulher do quadro.
Elisabete estava a passar uma fase difícil da sua vida, numa altura em que o sexo masculino era considerado mais forte e importante que o feminino. Elisabete era viúva e mãe de duas crianças, Pedro e Maria, de 11 e 14 anos. Desde que seu marido, António, e outros pescadores morreram num naufrágio causado por uma tempestade, as suas famílias passavam grandes dificuldades.
Na segunda metade do séc. XIX, muitos portugueses emigravam por muitas razões. Entre elas estava a miséria, que no caso de Elisabete e de todas aquelas mulheres, era muita. A tempestade, que tantas lágrimas fizera aquelas raparigas derramar, arruinara todo o seu trabalho no campo. As cheias que a chuva constante provocara faziam estragos nas colheitas que eram a fonte de subsistência de toda aldeia. Elisabete estava desesperada!
Ela sabia que só havia uma solução: emigrar. Foi uma decisão muito difícil, pois teria de deixar os seus filhos para trás e não sabia o que a esperava. Apenas sabia que o Canadá era um bom destino: possui uma das economias mais estáveis e favoráveis do mundo, estabilidade social e familiar, segurança, garantindo uma excelente qualidade de vida. Com muita tristeza, Elisabete pediu à sua amiga Rosa que tomasse conta dos seus filhos. Depois disso, partiu com muitas outras mulheres, até ao Canadá.
Inseguras, tristes e receosas avistaram terra, que daquele barco velho, estragado e cheio, parecia um outro mundo. Um mundo esperançoso, um mundo feliz, um mundo onde Elisabete, Maria e Pedro poderiam ser felizes! E foi contagiada por esta esperança que ela foi à procura de emprego e, mais tarde, de uma casa. Levou algum tempo, teve de passar muitas noites ao relento, de ser inúmeras vezes recusada, mas conseguiu obter um emprego com um salário que lhe permitia trazer os filhos para junto dela. Era esse o motivo que lhe dava forças para continuar, para não desistir. Depois de Elisabete ter a sua vida em ordem, Rosa trouxe Pedro e Maria para o Canadá. Com eles vieram muitas mais mulheres e crianças à procura de uma melhor qualidade de vida.
No dia do reencontro à noite, Elisabete adormeceu com Maria e Pedro a seu lado, pensando que para aquele ser um momento perfeito só faltava a presença de António, seu marido.
Estava eu sentada na sala a ver os filmes de Pato Donald, quando ele, fugindo do cão Zeky, saiu da televisão. Eu até saltei do sofá. O desastrado continuou a correr e escondeu-se atrás do meu armário. Decerto ainda não tinha reparado que saíra da televisão.
– Quaque, quaque! – gritou o pato e, com um ar de cansaço, sentou-se no chão. Foi nesse momento que reparou que já não estava no lugar habitual. Saltou e começou a olhar para os lados, assustado. Com isto, viu-me.
Eu aproximei-me dele e perguntei-lhe:
- Como saíste da televisão?
Acho que ele não percebeu nada e respondeu:
– Quaque qua!
Deu-me um rebuçado e fez um gesto, como se estivesse a pedir para eu o comer. Então comi-o e, como por magia, ouvi:
-Já consegues pereceber-me?
-Acho que sim! Mas como?! – respondi surpreendida
– Depois conto-te! Diz-me: como é que eu estou ao pé de ti!? Foste tu que me tiraste do meu mundo? Foste? Foste? Vá, diz-me!!!
– Eu não faço a mínima ideia de como é que tu estás aqui! Como é que queres que te responda?
-Ok! Ok, desculpa! Como é que te chamas?
-Eu chamo-me Viktoriya. E tu és aquele pato teimoso que se farta de correr e de ter aventuras, não é? Ou é imaginação minha? Então e a Margarida, aquela patinha, é mesmo ao teu gosto, não é? Conta-me tudo sobre os teus sobrinhos, sobre o tio Patinhas...
- Sim, é claro que sou aquele pato aventureiro. Toda a gente me acha teimoso, mas o problema não está em mim! É que eu nasci numa sexta-feira 13, vivo na casa com o número 13 e até o meu carro tem o número 13! Como é que queres que eu não tenha defeitos?
Em relação à Margarida, não sei como é que ela ainda não me deixou! Sou tão desajeitado! O Gastão é que tem sorte! A cada passo dá com alguma coisa boa! Os meus sobrinhos só sabem aborrecer-me e arranjar problemas! Doces para aqui, doces para acolá, viagens...E ainda por cima o Tio Patinhas! Aquele velho bilionário bem podia dar algum dinheiro a mim! Já viste? Ele quer tudo só para ele! Assim também não dá !E depois diz que o que lhe dá sorte é a sua primeira moeda! Eu cá, com a primeira moeda que recebi, comprei um gelado. A única coisa que me alegra na minha vida é a Margarida...
-A tua vida é mesmo um desastre...Tirando a parte da Margarida… -sussurrei - Agora, esclarece-me sobre o rebuçado que me deste. Como é que eu consigo perceber-te?
-Isso é uma longa história. Baseia-se em mais uma aventura. É que fui parar a casa da Maga Patalógika e encontrei em cima da mesa este rebuçado com várias coisas esquisitas escritas. Aproveitei para o pôr no bolso e agora dei-to. O problema é que não sei o que faz! He! He!
Mal ele acabou de pronunciar a última palavra, encontrámo-nos no mundo dele. Para ele era mau, porque estava de regresso a casa. Quanto a mim, decerto que ainda tinha de passar por uma série de aventuras. Então, esqueci-me de tudo e comecei a correr feita louca e a gritar. Podem não acreditar, mas fui parar outra vez a casa, como tinha acontecido com o Donald. Agora estava muito contente. Olhei para a televisão e vi que o Donald me dizia adeus enquanto fugia. Realmente, ele era um resmungão!
A Viktoriya do 6.º C conta um pedaço da vida da mulher que se vê no quadro de Bacon.
Mira estava naquele barco, pois tinha fugido. Deixara para trás os amigos, o pai, a casa. Ia em busca de um nova vida, que a pudesse tornar feliz. Tinha dezasseis anos e era filha de um comerciante alemão. Era filha única, contudo era infeliz, muito infeliz. Não podia ver os seus amigos, cantar à vontade nem passear sozinha. Seu pai era muito rude com ela, o que se justificava pelo medo que ele tinha de perder a sua única filha. Como eu estava dizendo, Mira tinha ouro, vestes e colares, mas não tinha aquilo de que realmente sentia falta, a Liberdade.
Farta dos limites que lhe impunham e que a impediam de ser feliz, resolveu fugir para um sítio que não conhecesse. Partiu num barco sem sequer saber o rumo que tomava. Levava consigo uma mala com algumas vestes e um saquinho com ouro.
Durante a viagem, conheceu novas pessoas, todas com uma história diferente da sua. Uns iam à procura de trabalho, outros iam ter com a família. Mira sentia-se um bocado à parte, como uma rosa vermelha entre muitas brancas.
Quase no final da viagem, quando já estava aliviada por estar longe de casa, avistou um pequeno barquito que trazia seis pessoas. Eram pescadores que regressavam a casa, depois de um logo dia de trabalho. Atracaram ao mesmo tempo e um rapaz loiro e alto que, entretanto, já tinha reparado na linda rapariga, foi ter com ela, convidando-a a beber um chá em sua casa. Mira sentia-se envergonhada perante aquele rapaz tão bonito, mas aceitou. Passaram a noite inteira a conversar. Descobriu que ele se chamava Ivo e que vivia sozinho, porque os seus pais tinham desaparecido. Por sua vez, Mira também contou a sua história. Com o passar do tempo começaram a aperceber-se de que alguma coisa os ligava: o Amor.
Mira estava feliz! O seu sonho tinha-se realizado: ela era livre e tinha encontrado o seu par!
Casaram, tiveram dois filhos e viveram felizes para sempre!
A Anaísa do 6.º C escreveu um texto sobre a amizade.
O que é a amizade? É, com certeza, uma pergunta difícil de responder. Na minha opinião “amizade” é uma das palavras mais difíceis de descrever. Pode ter tantas definições! A amizade é um dos sentimentos mais incríveis, é dar e receber.
Ser amigo é uma grande qualidade. Um amigo é aquela pessoa que nos ouve e aconselha, que nos faz rir, que nos ajuda, que nos anima quando estamos tristes. Para ele temos sempre aquele cantinho do nosso coração, que chora, quando passamos muito tempo sem ver os amigos, e que bate muito depressa, feliz, quando está com eles.
Estar com os amigos é o meu passatempo favorito. Não importa se falamos ou brincamos, o que interessa é que estamos juntos. É quase impossível estar triste ao pé dos meus amigos, a energia deles contagia toda a gente! Já me questionei: o que seria sem os meus amigos? Com quem brincaria, desabafaria, falaria? Quem me animaria? Concluí que devemos tratar bem os amigos e conservá-los, pois a amizade verdadeira não é fácil de encontrar.
A amizade não escolhe raças, idades, não se compra nem se vende. O que respondias se alguém te impedisse de ser amigo de uma pessoa por causa da sua cor ou idade? A amizade é um sonho tornado realidade, não a desperdices!
Aqui fica a minha opinião: a amizade não se explica, a amizade sente-se!
Este blogue destina-se a apresentar sugestões de leitura e de escrita aos alunos das turmas A e C do 6.º ano de escolaridade da Escola Básica de Eugénio de Castro, em Coimbra, no âmbito da disciplina de Língua Portuguesa.
Tem também como objectivo a disponibilização dos textos por eles elaborados em resultado dessas propostas ou da sua iniciativa, a criação de uma Galeria de Autores, da secção “Li, gostei, recomendo” e de outras actividades que se venham a revelar oportunas.